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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012



NIELS BOHR

Niels Henrik David Böhr nasceu em Copenhague, Dinamarca, em 7 de outubro de 1885, e cursou a Universidade de Copenhague. No ano de 1911, ele viajou para Inglaterra a fim de desenvolver seu pós-doutorado, que foi uma tese sobre a teoria eletrônica dos metais. Depois foi trabalhar com J. J. Thomson, na Universidade de Cambridge, no Laboratório de Cavendish.
No ano seguinte, ele se mudou para Manchester a fim de fazer parte da equipe deErnest Rutherford, sendo, portanto, seu assistente. Conta-se que Rutherford o admirava muito, dizendo até mesmo que Böhr tinha sido a pessoa mais inteligente que ele havia conhecido. 
Esse gigante da ciência é mais conhecido por seu modelo atômico, que foi chamado de modelo atômico de Rutherford-Böhr, pois Böhr propôs um modelo atômico revolucionário que mantinha, porém, as principais características do modelo proposto anteriormente por Rutherford. Para saber mais detalhes sobre esses dois modelos, você poderá ler os textos “O átomo de Rutherford”  e “O átomo de Böhr”.
Mas, resumidamente, a sua teoria atômica baseou-se no princípio da quantização da energia proposto por Planck. Ele observou que elementos, se aquecidos, emitem energia em um conjunto de linhas distintas chamadas espectro de linha, e desenvolveu a ideia de que os elétrons só podem existir em órbitas limitadas a certas posições, com energias distintas. O elétron só passa de uma camada de energia para a outra quando ele absorve energia de uma fonte externa, em unidades discretas de energia, chamadas quanta. Dessa forma, ele salta para uma órbita mais externa na eletrosfera do átomo, e quando ele retorna para a órbita menos energética, ele perde, na forma de onda eletromagnética, a energia que absorveu antes. Essa onda eletromagnética é na região do visível; assim, ele explicou a luz emitida ao se aquecer diferentes materiais e o espectro eletromagnético do hidrogênio.
Böhr publicou a sua teoria atômica no ano de 1913. Um fator interessante é que ele até mesmo adiou a sua lua de mel para escrever esse trabalho; mas com certeza valeu a pena, pois este lhe rendeu o Prêmio Nobel de Física em 1922,aos 37 anos de idade.
Böhr (à direita), sua esposa à sua frente e ao seu lado Ernest Rutherford (à esquerda)
Em 1912,Böhr se casou com Margrethe Nørlund e teve seis filhos. Parece que a genialidade se tornou coisa de família; mas, infelizmente, Böhr não viveu para ver seu filho Aage Niels Böhr ser agraciado com o Prêmio Nobel de Física em 1975.
Niels Böhr se tornou professor de Física teórica na Universidade de Manchester de 1914 a 1916, e, depois, de volta para Copenhague, se tornou, em 1920, diretor do Instituto de Física Teórica.
Além da estrutura complexa dos átomos, ele também estudou a natureza dos raios X, as variações periódicas das propriedades químicas dos elementos, a estrutura do núcleo atômico e a fissão nuclear.
Em 1940, as forças alemãs de Hitler ocuparam a Dinamarca, incluindo Copenhague, onde Böhr estava. Ele ficou exilado na Suécia, onde tomou várias iniciativas em favor de cientistas judeus perseguidos, medidas também contra a tirania de Hitler e ajudou muitos a realmente escaparem da morte. Todavia, ele se transferiu mais tarde para os Estados Unidos, onde se tornou consultor do laboratório de energia atômica de Los Alamos, onde vários cientistas canalizavam seus esforços na construção da bomba atômica. Este ficou sendo conhecido como Projeto Manhattan.
Abaixo, vemos uma figura de Böhr com Einstein, sendo que ambos defendiam o desenvolvimento da bomba apenas como meio de conter a expansão nazista. No entanto, Niels Böhr percebeu a gravidade da situação e o perigo dessa bomba para a humanidade. Assim, em 1944, ele abandonou o projeto e passou a defender a utilização da energia nuclear apenas para fins pacíficos. Ele até mesmo se dirigiu para os líderes de Churchill da Inglaterra, e Roosevelt, nos Estados Unidos, apelando para que não se levasse adiante esse projeto. Porém, seus esforços não adiantaram e em 6 de agosto de 1945, a primeira bomba atômica destruiu a cidade de Hiroshima, matando 66 mil pessoas e ferindo 69 mil.
Böhr e Einstein defendiam a utilização da energia nuclear apenas para fins pacíficos
Niels Böhr voltou, então, para a Dinamarca, trabalhando como presidente da Academia de Ciências de Copenhague até a data de sua morte, em novembro de 1962, aos 77 anos, vítima de trombose.
Até o fim de sua vida, Böhr continuou lutando contra o uso de armas nucleares e, por isso, no ano de 1957, ele recebeu o Prêmio Átomos pela Paz.

MARIE CURIE


Marie Skodowska Curie (1867-1934), polonesa que se tornou um dos nomes mais importantes da ciência juntamente com seu marido, o professor de física Pierre Curie.
Ela ganhou o prêmio Nobel em 1903, inclusive foi a primeira mulher a conseguir esta façanha. Esse mérito foi em virtude de seus estudos sobre radioatividade, em 1911 recebeu outro prêmio pela descoberta dos elementos Polônio e Rádio.

Marie Curie conseguiu se destacar como pesquisadora numa época em que as universidades eram de domínio masculino, foi a partir do seu trabalho que surgiu um enorme interesse pelos fenômenos radioativos e foi nessa época também que começaram a se desenvolver de fato.

O trabalho não foi fácil: o local de trabalho de Marie Curie era um laboratório improvisado em um galpão, cujo telhado tinha goteiras e o chão era terra pura, com instrumentos antigos, sem nenhuma sofisticação. Mas nem por isso as pesquisas desta cientista fracassaram, pelo contrário, levaram a identificação de três diferentes tipos de emissão radioativa - mais tarde chamados de alfa, beta e gama. Foi ela também que criou o termo radioatividade.

Marie Curie faleceu em 1934, depois de muitos problemas de saúde, provavelmente em razão da contínua exposição à radiação. Mas com certeza sua vida não foi em vão, graças a ela hoje a radioatividade é usada amplamente: uso na radioterapia, raios x, radiação de alimentos (para conservá-los), dentre muitas outras utilidades. Inclusive as doses de radiação utilizadas em tratamentos são chamadas de micro-curies.

O elemento de número atômico 96 da tabela periódica, de símbolo Cm, foi nomeado de Curio em homenagem a Marie e Pierre Curie. Essa brilhante cientista deixou uma frase: “Nada na vida é para ser temido. É tudo para ser somente entendido”.

LINUS PAULING

Linus Carl Pauling foi um ilustríssimo químico norte-americano. Nasceu em 1901 e faleceu em 1994, com 93 anos de muita dedicação à pesquisa. Pauling foi um dos mais reconhecidos cientistas do século XX, prova disso é que ele foi o único prestigiado com dois Prêmios Nobel não compartilhados. Um deles foi em 1954, em decorrência de um de seus trabalhos relacionados à Química (A natureza das ligações químicas - publicado em 1939). A segunda premiação foi em 1962, na qual Pauling recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelas suas intervenções contra testes nucleares, o uso de bombas atômicas como armas de guerra e a construção de usinas nucleares.
Pauling dedicou-se mais à química relacionada à Mecânica Quântica, mas teve importantes contribuições nos campos da Química Inorgânica, Química Orgânica, Metalurgia, Imunologia, Anestesiologia, Psicologia, Radioatividade e Biologia Molecular (determinação da estrutura de proteínas e cristais). É também considerado o pai da ligação química.

Uma de suas contribuições, o diagrama de Linus Pauling, é vastamente utilizado em livros didáticos. Por meio do diagrama é possível realizar a distribuição dos elétrons pelos subníveis da eletrosfera.

Os subníveis estão em ordem crescente de energia. O diagrama de Pauling é um ótimo auxiliar na distribuição dos elétrons pelos subníveis da eletrosfera.


LAVOISIER


Antoine Laurent de Lavoisier nasceu em Paris, no dia 26 de agosto de 1743. Era filho de um rico advogado e logo ficou órfão por parte de mãe. Como sua família tinha boas condições financeiras, ele foi muito bem educado e logo cedo, com a idade de 22 anos de idade, ganhou uma medalha de ouro da Academia de Ciências por ter feito um projeto de iluminação para as ruas de Paris.
Com apenas 25 anos ele foi eleito membro da prestigiosa Academia Real de Ciências da França. Porém, com essa idade, ele também tomou uma decisão que, conforme será explicado mais tarde, lhe custou a vida; que foi ter se associado à Ferme Générale – uma sociedade privada que tinha o direito de cobrar impostos em nome da coroa francesa.
Os rendimentos que ele obteve ao comprar ações dessa instituição custearam grande parte das suas pesquisas. Lavoisier era um cuidadoso cientista que fazia observações detalhadas e planejava seus experimentos e por isso é considerado um dos fundadores da Química Moderna.
Laboratório químico de Lavoisier
Aos 29 anos de idade Lavoisier casou-se com Marie Anne Pierrette Paulze (1758-1836), filha de um dos sócios majoritários da Ferme Générale, que na época tinha apenas 13 anos de idade. Mas esse casamento foi muito vantajoso para Lavoisier, pois Marie Anne se tornou também sua parceira e assistente de pesquisas científicas. Ela traduzia os mais recentes artigos de Química do inglês para o francês, montava a aparelhagem de vários experimentos e muitas vezes anotava os resultados, além de provavelmente ter dado contribuições em discussões sobre química teórica. Desse modo, foi um casamento que realizou a ambos.
Lavoisier com sua esposa e assistente, Marie Anne
Em 1789, Lavoisier lançou o Tratado Elementar de Química, no qual apresentava uma nomenclatura moderna para os elementos químicos, pois até então se usava a linguagem obscura da alquimia. Outras descobertas de Lavoisier foram a relação do processo de respiração com a combustão, a sugestão do termo “oxigênio” para o gás que foi isolado na época por Priestley e, finalmente, a conhecida lei de conservação da matéria ou lei de conservação das massas, conhecida atualmente pelo seguinte enunciado:
Lei de conservação das massas de Lavoisier
Porém, na época, Lavoisier não enunciou essa lei com essas palavras, mas da seguinte forma:
Lei de conservação das massas enunciada por Lavoisier
Lavoisier teve um fim trágico. No mesmo ano de 1789, teve início também a Revolução Francesa e os membros da Ferme Générale foram colocados como inimigos do povo, foram acusados de peculato, que é um delito praticado por funcionários públicos que se apropriam de posses ou dinheiro público ou particular em proveito próprio ou alheio e usam as facilidades do cargo para obter esses bens ou ajudam alguém a obtê-los por meios ilícitos. E foram acusados também de não prestarem contas de suas atividades.
Lavoisier, por fazer parte dessa instituição, não foi poupado, pelo contrário, no dia 18 de maio de 1794, aos 51 anos de idade, ele foi morto em uma guilhotina. Sua esposa foi presa, mas quando foi libertada, publicou a obra Memórias de Químicacom o nome do marido e baseada nas anotações de trabalhos que ele realizou enquanto vivo.
A frase que o célebre matemático francês Joseph-Louis Lagrange disse quando soube de sua morte, resume bem esse acontecido e suas consequências:
“Só um minuto para cortarem aquela cabeça, e talvez cem anos não nos deem outra igual.”


JOHN DALTON

John Dalton nasceu em 6 de setembro de1766, na remota aldeia de Eaglesfield, na borda do Lake District, na Inglaterra. Seu pai era um tecelão de crença quaker (no Brasil, diz-se quacre), termo usado para identificar os membros da Sociedade dos Amigos, fundada na Inglaterra no século XII. Dalton estudou em uma escola da comunidade quacre até os 11 anos, e aos incríveis 12 anos de idade ele começou a lecionar Matemática nessa mesma instituição. Como seu salário era simbólico e ele vinha de uma família pobre, ele teve que também trabalhar no cultivo da horta de seu pai.
John Dalton foi um grande estudioso da constituição da matéria. Por exemplo, ele estudou diferentes reações químicas, medindo as massas dos reagentes antes e depois das reações. Assim, em 1808, depois de muitas pesquisas e experimentos científicos, Dalton publicou um livro com o tema Novo sistema filosófico da química, no qual apresentava a teoria de que a matéria é constituída de átomos, que eram, segundo ele, minúsculas partículas indivisíveis e indestrutíveis.
Além disso, ele dizia também que cada elemento químico era formado por átomos idênticos e únicos, que os átomos eram imutáveis, que os elementos químicos podiam se combinar para formar compostos diferentes e que as reações químicas eram rearranjos dos átomos em diferentes compostos, mas não mudavam o número total de átomos que tomavam parte na reação. Ele ainda criou uma notação nova para representar reações químicas que combinavam átomos diferentes, conforme mostrado na figura abaixo:
Notação usada por Dalton para representar vários atómos e moléculas em seu livro Novo sistema filosófico da química
O seu trabalho foi amplamente debatido pela comunidade científica e físicos famosos da época o criticaram. Mas a partir da segunda metade do século XIX, os químicos começaram a se convencer, pelas inúmeras evidências, de que tal modelo era bastante plausível. Assim, diferente de muitos cientistas que tiveram de esperar muitos anos para verem suas ideias aceitas, Dalton assistiu a comunidade científica abraçar suas teorias. Teorias essas que explicaram muitas leis que já tinham sido observadas (como, por exemplo, a lei das proporções constantes ou múltiplas de Proust).
Hoje sabemos que nem tudo proposto por Dalton era verdade, por exemplo: os átomos não são indivisíveis; mas sua ideia sensacional transformou nossa compreensão da matéria e suas premissas básicas continuam fundamentais para a nossa compreensão atual da Química e da Física.
John Dalton foi também o cientista que introduziu o conceito de massa atômica, descobriu uma importante lei da Física, que é a Lei das pressões parciais dos gases, atuou como meteorologista e manteve registros meteorológicos por quase 60 anos, tendo feito suas últimas anotações no dia de sua morte.
Outra faceta importante da vida de Dalton é que ele foi o primeiro cientista a descrever de maneira minuciosa e científica, em 1794, em seu livro Fatos extraordinários relativos à visão das cores, uma deficiência visual que ele mesmo portava, que ficou sendo conhecida como Daltonismo, em sua homenagem. Os portadores dessa doença não conseguem distinguir algumas cores, entre elas o vermelho e o verde.
Um teste básico para a pessoa saber se é daltônica é olhar as ilustrações abaixo. Se a pessoa conseguir distinguir os números que aparecem nas ilustrações, ela não é daltônica.
Teste de daltonismo
John Dalton faleceu em 1844, aos 78 anos de idade.


HERÁCLITO

Heráclito de Éfeso (540 a.C. - 470 a.C), como o próprio nome indica, nasceu na cidade de Éfeso, mereceu lugar de destaque sendo considerado um dos filósofos mais fascinantes, apesar de suas idéias meio confusas, por isso recebeu o apelido de “O Obscuro”. Esse cientista transmitia seus ensinamentos em forma de jogos de palavras e charadas que levavam as pessoas a pensar, refletir.

Em razão da forma de expor suas idéias, Heráclito vem provocando debates acirrados há mais de vinte séculos. Os gregos e romanos já discutiam sobre ele, e mais tarde foi tema de debates entre cristãos e muçulmanos. Já na filosofia moderna e contemporânea sempre ressurge assuntos ligados a esse cientista.

O filósofo possuía um caráter altivo e melancólico, recusou-se a intervir na política, manifestou desprezo pelos antigos poetas, era contra os filósofos de sua época e até contra a religião.

Heráclito nomeou o princípio organizador que governa o mundo de “logos”, são dele as seguintes frases:

- "Da luta dos contrários é que nasce a harmonia.”

- “Tudo o que é fixo é ilusão.”

- “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio.”

- “Não escutem a mim e sim ao logos.”

- “Das coisas surge a unidade. E, da unidade, todas as coisas.”


Ele queria transmitir a idéia de que tudo que existe é uma manifestação da unidade da qual o homem faz parte. As transformações, segundo o filósofo, são conseqüências da tensão entre os opostos, da ação e reação. Segundo ele, o sol é novo a cada dia e o universo muda e se transforma infinitamente a cada instante. Para exemplificar, compare essa idéia com os símbolos taoístas de ying e yang:

Os opostos se completam.
Como se vê, os opostos fazem parte de um único todo, esse símbolo representa a teoria descrita onde tudo está em um fluxo constante mantendo uma unidade absoluta através do “logos”. Esta teria sido a grande descoberta do cientista: existe uma harmonia oculta das forças opostas, como a do arco e fecha.

Heráclito recebeu o nome de filósofo do fogo, por que defendia a idéia de que o agente transformador é o fogo: ele purifica e faz parte do espírito dos homens. Esses conceitos inspiraram os primeiros cientistas que exploraram na prática a união do material e o imaterial através do fogo: os famosos Alquimistas.

GLENN SEABORG


O químico Glenn Seaborg, de origem norte-americana, teve importantes participações no mundo científico, como, por exemplo, como auxiliar no projeto da bomba atômica. Mas o que consagrou Seaborg foram suas descobertas no que diz respeito aos elementos transuranianos (aqueles cujo número atômico é maior que 92) e reações em pilhas atômicas.
Seaborg era membro de uma equipe de pesquisadores, eles foram os responsáveis pela descoberta de vários elementos, como amerício (Am), cúrio (Cm), berquélio (Bk), califórnio (Cf), einstênio (Es), férmio (Fm), mendelévio (Es) e plutônio (Pu). Esse último (Pu), rendeu a Seaborg o prêmio Nobel no ano de 1951.
Seaborg não parou por aí, após ser premiado tornou-se diretor do Laboratório Metalúrgico da Universidade de Chicago, onde deu início à produção industrial do plutônio (Pu).

ERNEST RUTHERFORD


O químico e físico, Ernest Rutherford, começou sua carreira conceituando a meia-vida radioativa. Parece que o jovem tinha futuro, pois ele pesquisou o campo da radioatividade e descobriu as partículas, Alfa e Beta. Seus feitos nessa área foram reconhecidos, tanto que, no ano de 1908, Rutherford foi digno de receber um prêmio Nobel.
Como Rutherford não cessou seus estudos, acabou realizando outros grandes feitos, desta vez, pesquisando a composição do átomo. Os resultados de sua dedicação vieram na forma de um modelo de átomo moderno. Rutherford foi o primeiro a defender a concepção “de que os átomos têm sua carga positiva concentrada em um pequeno núcleo”.
Baseando-se em suas constatações, Rutherford apresentou, no ano de 1911, um modelo atômico, o qual foi reconhecido e batizado de “Átomo de Rutherford”. O modelo trazia a forma planetária onde o átomo ficava envolto por eletrosferas.
Outra conquista importante de Rutherford veio no ano de 1917, na qual ele realizou o experimento que dividia, pela primeira vez, o núcleo atômico. Imagine só a repercussão desse feito!
É por esse e outros motivos que Rutherford entrou para a galeria dos maiores gênios da história da química.


SVANTE AUGUST ARRHENIUS

Svante August Arrhenius nasceu no ano de 1859, na Suécia. Em 1876, ingressou na Universidade de Uppsala. Esse químico ficou mais famoso por sua Teoria da Dissociação Iônica. Na realidade, esse foi o tema da sua tese de doutorado, defendida em 1884.
Arrhenius começou em 1881 a realizar inúmeras experiências relacionadas à passagem de corrente elétrica através de soluções aquosas e, em 17 de maio de 1883, baseado nos resultados observados, ele chegou à teoria mencionada, na qual formulou a hipótese de que a condutividade elétrica estava relacionada à presença de íons nas soluções.
Ao defender sua tese, com o título de Pesquisas sobre condutividade galvânica,que na realidade era uma teoria nova, houve uma discussão com os examinadores, que durou por quatro horas. Isso era de se esperar, afinal de contas suas ideias sobre a existência de íons iam contra o modelo atômico aceito na época, que era o de Dalton, que falava em partículas neutras e indivisíveis. Os examinadores decidiram conceder-lhe o título de doutor, porém, não em virtude da aprovação de sua tese – pois ela recebeu a nota mínima para não ser recusada –, mas sim porque ele era um bom aluno, com ótimas notas.
Isso não fez com que ele desanimasse, pois daí em diante passou a se dedicar ao estudo dessas soluções eletrolíticas. O químico Wilhelm Friedrich Ostwald (1853-1932) o ajudou, conseguindo para ele uma bolsa de estudos. Assim, Arrhenius continuou trabalhando com Ostwald e com Jacobus Henricus Van’t Hoff (1852-1911), dois químicos renomados.
Mesmo com o apoio deles, seus resultados continuaram sendo muito combatidos pela comunidade científica.
Com o tempo, Arrhenius obteve o cargo de professor do Instituto de Estocolmo. Mais tarde, ele conseguiu a cátedra, isto é, tornou-se professor titular de uma disciplina universitária. Todavia, conferiram-lhe essa função sem muito entusiasmo, pois achavam que ele não estava preparado. Mas algo que o ajudou a conseguir a cátedra foi que a sua teoria da dissociação estava começando a ser aceita – inclusive a Sociedade Munsen escolheu Arrhenius como seu sócio honorário por causa dessa teoria.
Em 1895, ele foi nomeado professor da Universidade de Estocolmo; e dois anos depois se tornou o reitor dessa instituição. Em 1902, recebeu a medalha Davy da Real Society; e, em 1903, recebeu a maior honra que um cientista poderia receber: o Prêmio Nobel de Química, por sua tão criticada tese de doutorado.
Mas realmente esse prêmio foi muito merecido, afinal de contas a teoria da dissociação iônica foi muito importante. Ela explicou um grande número de fenômenos já conhecidos, contribuiu para o desenvolvimento das teorias eletrônicas da matéria e causou o desenvolvimento de várias linhas de pesquisa, inclusive colaborando para estabelecer as bases científicas da química analítica. Além disso, estudos posteriores de Arrhenius, sobre a natureza dos íons existentes nas soluções iônicas ou eletrolíticas, levaram à elaboração das definições das funções inorgânicas dos ácidos, bases e sais.
Arrhenius morreu em 1927, em Estocolmo.


AVOGADRO

6,02 × 1023
Quem nunca viu ou ouviu falar sobre esse número? Ele recebe a denominação de Número de Avogadro.

Lorenzo Romano Amedeo Carlo Avogadro, nascido no ano de 1776 e falecido em 1856, teve a advocacia como sua primeira profissão, mas logo em seguida se rendeu ao curioso mundo da Química. Ele dedicou-se ao estudo dos gases e descobriu propriedades nunca antes reveladas sobre esse estado físico da matéria.
Avogadro criou a Lei: volumes iguais de quaisquer dois gases na mesma temperatura e pressão contêm o mesmo número de partículas.
De acordo com o enunciado acima é possível determinar o número de partículas em uma molécula de qualquer substância gasosa.
O número 6,02 × 1023 é uma constante física fundamental, por isso ficou conhecida como Constante de Avogadro, uma vez que é um número padrão para representar um Mol de quaisquer entidades elementares (átomos, moléculas, íons, elétrons).
Já ficou curioso para saber como Avogadro chegou a este número? Pois bem, ele partiu do número de átomos de carbono: 12 em 12 gramas (0,012 kg) de carbono-12, um valor que se aproxima de 6,02 × 1023.
Conhecendo a Constante de Avogadro e a massa atômica de um elemento é possível calcular a massa em gramas de um único átomo? Sim, para isso acompanhe os exemplos propostos em: Mol e Número de Avogadro: qual a relação?

CHARLES DARWIN

Charles Darwin foi um importante naturalista e biólogo. Nasceu no ano de 1809 na Inglaterra, vivendo até 1882. Durante um período de 5 anos, colaborou com diversas estudos e pesquisas realizados em ilhas e na região costeira da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.
Biografia e estudos 
O naturalista inglês surpreendeu-se com a grande quantidade de espécies de animais e plantas que encontrou nas regiões pesquisadas. Na América do Sul, por exemplo, chamou-lhe a atenção a grande diversidade de tentilhões que conheceu nas ilhas Galápagos (costa ocidental da América do Sul).

Nestes cinco anos de pesquisa científica e nos estudos que realizou com todo material coletado e observado, procurou descobrir a razão da existência desta grande diversidade de plantas e animais.

Foi no ano de 1859 que escreveu um dos seus principais livros: “ A Origem das Espécies”. Nesta obra procura explicar a evolução das espécies vegetais e, principalmente, animais em nosso planeta. Numa outra obra, entitulada “ A Descendência do Homem” explica o surgimento da raça humana em nosso planeta.
 Os dois livros revolucionaram o conhecimento científico a respeito da origem e evolução dos seres vivos no planeta, contrariado as explicações religiosas. As obras geraram profundos debates e controvérsias, principalmente entre os setores mais conservadores da sociedade. Porém, atualmente, as idéias darwinianas são aceitas no mundo científico.

De acordo com suas explicações, o motivo de existir pequenas diferenças na descendência, entre os animais e plantas, fazem com que determinadas espécies possam viver mais tempo do que outras. As espécies que vivem mais podem gerar um número maior de descendentes, fato que permite o aparecimento de novos tipos de variações.


GREGOR MENDEL



Gregor Mendel nasceu em 20 de julho de 1822, num pequeno povoado chamado Heinzendorf, na atual Áustria. Ele foi batizado com o nome de Johann Mendel, mudando o nome para Gregor após ingressar para a ordem religiosa dos agostinianos. Foi ordenado sacerdote no ano de 1847. 
Biografia e estudos científicos 
Entre os anos de 1851 e 1853 estuda História Natural na Universidade de Viena. Neste curso, adquiri muitos conhecimentos que seriam de extrema importância para o desenvolvimento de suas teorias (leis).

Aproveitou também os conhecimentos adquiridos do pai, que era jardineiro, para começar a fazer pesquisas com árvores frutíferas. Em 1856 já fazia pesquisas com ervilhas, nos jardins do monastério.

Sua teoria principal era a de que as características das plantas (cores, por exemplo) deviam-se a elementos hereditários (atualmente conhecidos como genes). Como passava grande parte do tempo dedicando-se às atividades administrativas do monastério, foi deixando de lado suas pesquisas relacionadas ao estudo da hereditariedade.

Morreu em 6 de janeiro de 1884 sem que tivesse, em vida, seus estudos reconhecidos. Somente no começo do século XX que alguns pesquisadores puderam verificar a importância das descobertas de Mendel para o mundo da genética.

As Leis de Mendel

Primeira Lei: também conhecida com Lei da Segregação, explica que na fase de formação dos gametas, os pares de fatores se segregam.

Segunda Lei: também conhecida como lei da Uniformidade, afirma que as características de um indivíduo não são determinadas pela combinação dos genes dos pais, mas sim pela característica dominante de um dos progenitores (característica dominante).

Segunda Lei: também conhecida como Lei da Recombinação dos Genes, explica que cada uma das características puras de cada de cada variedade (cor, rugosidade da pele, etc) se transmitem para uma segunda geração de maneira independente entre si.

OSWALDO CRUZ





Oswaldo Cruz foi um grande pesquisador que atuou como cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro. Foi o pioneiro no estudo de doenças tropicais e da medicina experimental no Brasil.

Biografia e estudos 
Em 1900, fundou o Instituto Soroterápico Nacional, no Rio de Janeiro, que depois passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz, instituição que possui grande respeito internacional.
Osvaldo Cruz iniciou sua graduação no ano de 1887, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1896 foi para Paris e ingressou no Instituto Pasteur como estagiário.
Quanto retornou ao Brasil, no ano de 1899, ele trabalhou no combate ao surto de peste bubônica, que ocorria em Santos, e em outras cidades portuárias brasileiras.
Durante esta fase ele defendeu a idéia de que a epidemia somente poderia ser controlada com o uso do soro adequado. Por isso, sugeriu que o governo instalasse um instituto para fabricação deste “medicamento”, uma vez que, a importação naquela época era muito demorada.
A partir daí, deu-se início a criação do Instituto Soroterápico Nacional. Em 1903, Osvaldo Cruz atuava neste instituto como diretor geral da saúde pública.
Durante sua atuação, ele coordenou campanhas para erradicação da febre amarela, varíola e eliminação dos focos de insetos transmissores de doenças tropicais.
Com o objetivo de erradicar as moléstias contagiosas, promoveu uma campanha de vacinação forçada, que acabou sendo conhecida como a Revolta da Vacina.
No ano de 1916, ele colaborou para a fundação da Academia Brasileira de Ciências, e se tornou prefeito de Petrópolis, RJ. Faleceu no ano seguinte devido a problemas de saúde.


LAMARCK


Jean Baptiste Lamarck nasceu no dia 1 de agosto de 1744 na cidade de Bazentin (França) e faleceu no ano de 1829, em Paris. Foi um importante biólogo, pois seus estudos contribuíram muito para a sistematização dos conhecimentos da História Natural.
Foi Lamarck quem começou a usar o termo “biologia” para designar a ciência que estuda os seres vivos. Foi este cientista também que fundou os estudos de paleontologia dos invertebrados.

As teorias desenvolvidas por Lamarck eram transformistas, ou seja, partia do princípio de que os seres vivos evoluem e se transformam. Desta forma, os organismos mais simples, com o passar do tempo, iriam se transformando em seres mais complexos, até atingirem uma condição de vida ideal e perfeita.

Teorias de Lamarck

Teoria do Uso e Desuso
Explica que os órgãos que são pouco utilizados durante a vida de um animal vai, com o passar do tempo, atrofiando e perdendo suas funções até desaparecer. Por outro lado, os órgãos mais utilizados, cujas funções para a sobrevivência são fundamentais, tendem a ganhar força e se desenvolverem de forma proporcional ao tempo utilizado. Para explicar esta teoria, Lamarck utilizou o exemplo das girafas. Estes animais, necessitando obter seus alimentos no topo de árvores altas, fortaleciam com tempo (de gerações para gerações) o pescoço e, por isso, tinham esta parte do corpo bem desenvolvida.

Teoria das características adquiridas
Lamarck afirmava que o meio ambiente estava permanentemente sofrendo modificações e evoluções. Logo, o corpo dos seres vivos possuíam a capacidade de transformação com o objetivo de se adaptarem às mudanças do meio ambiente. As transformações adquiridas por uma espécie seriam transmitidas para seus descendentes. Como o passar de gerações (milhões de anos) as espécies vão acumulando transformações, dando origem a novos grupos de seres vivos. Em suma, as modificações do meio ambiente vão “forçando” e gerando necessidades de transformações anatômicas, orgânicas e comportamentais nas espécies.

As teorias de Lamarck influenciaram os estudos evolucionistas desenvolvidos por Charles Darwin. Na terceira edição de Origem das Espécies,Darwin chegou a elogiar as pesquisas de Lamarck.

As pesquisas nas áreas de genética e hereditariedade, desenvolvidas na segunda metade do século XX, invalidaram a teoria das características adquiridas desenvolvidas por Lamarck. 


CARLOS CHAGAS



Carlos Justiniano Ribeiro Chagas foi um importante sanitarista, bacteriologista, médico e cientista mineiro. Nasceu em 9 de julho de 1879 na cidade mineira de Oliveira e faleceu em 8 de novembro de 1934 na cidade do Rio de Janeiro.

Descobertas 
Carlo Chagas fez duas grandes descobertas ao estudar a malária e a doença de Chagas. Ele descobriu o processo de contágio e evolução destas duas perigosas doenças tropicais.

Alguns prêmios recebidos e reconhecimento internacional 
Ganhou reconhecimento internacional, pois suas pesquisas abriram portas para a criação de métodos de prevenção, tratamento e erradicação destas duas doenças.

Carlos Chagas recebeu, na Alemanha, dois importantes prêmios, concedidos a cientistas de destaque: Prêmio Schaudinn em 1912 e Prêmio Krummel em 1925. Recebeu também o título de doutor honoris causa pelas universidades de Harvard, Paris e Bruxelas. Em 1920, recebeu o título de Cavaleiro da Ordem da Coroa da Itália.

Louis Pasteur

LOUIS PASTEUR



Louis Pasteur foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram uma grande importância tanto na área de química quanto na de medicina. Foi ele quem criou a técnica conhecida hoje como pasteurização.

Biografia, descobertas e estudos 
Não foi um aluno de destaque até transferir-se para a Escola Normal Superior em 1843. licenciar-se e ter acesso às aulas de um grande químico francês chamado Jean Baptiste Dumas. A partir daí, ele começou a se interessar pela química.

Seu interesse pela química era tão grande que ele logo se tornou professor de química em Estrasburgo e, algum tempo depois, em Paris.
Em 1848, ele fez uma descoberta sobre o dimorfismo do ácido tartárico, enquanto observava no microscópio a surpreendente simetria apresentada nos dois tipos de cristais do ácido racêmico.
Com apenas 26 anos de idade, Pasteur fez uma descoberta sobre o desvio no plano de polarização da luz que lhe valeu a concessão da Légion d'Honneur Francesa" .
Algum tempo após, atendeu a solicitação de alguns dos vinicultores e cervejeiros da região que lhe pediram para descobrir como os vinhos e a cervejas azedavam.
Durante sua  investigação, através do uso de microscópio, ele pôde constatar que a levedura ocasionava este processo. Solucionou este problema através de um processo que originou a atual técnica de pasteurização dos alimentos.
A partir desta nova descoberta, ficou constatado que tanto nos processos de fermentação quanto nos de decomposição orgânica, há a ação de microorganismos.
Em 1865, sua descoberta foi utilizada pelo cirurgião Joseph Lister, que utilizou os conhecimentos de Pasteur com o objetivo de eliminar os microorganismos presentes em feridas e incisões cirúrgicas.
No ano de 1871, Pasteur insistiu para que todos os médicos dos hospitais militares passassem a adotar esta técnica em todos os instrumentos de procedimento médico.

Em sua "teoria germinal das enfermidades infecciosas", este importante químico e pesquisador defende a idéia de que toda doença infecciosa tem sua causa num microorganismo com grande capacidade de propagar-se entre as pessoas. Segundo ele, deve-se identificar o micróbio causador de cada doença para se descobrir um modo de combatê-lo.
Seus intensos estudos sobre a vida dos microorganismos patogênicos o levaram a descobrir uma forma de combatê-los, foi a partir de então, que ele descobriu às vacinas, entre elas, a anti-rábica.

Curiosidade:
O Instituto Pasteur foi fundado em 1888 pelo próprio Louis Pasteur. Atualmente, este instituto é um dos mais famosos centros de pesquisa da atualidade.


albert sabin


ALBERT SABIN



Albert Bruce Sabin nasceu em 26 de agosto de 1906, na cidade polonesa de Bialystok. No começo da década de 1920, imigrou com sua família, em busca de melhores condições de vida, para os Estados Unidos.
Vida e realizações 
Foi estudar medicina na Universidade de Nova Iorque e, nesta instituição, começou a desenvolver pesquisas relacionadas às doenças infecciosas. No ano de 1946, tornou-se chefe da área de pesquisas pediátricas da Universidade de Cincinnati (Ohio).

Na década de 1950 a poliomielite (doença causada pelo vírus Enterovirus poliovirus.



HIPÓCRATES

Hipócrates é conhecido por muitas pessoas como uma das figuras mais marcantes da história da saúde. Devido a sua grande importância, ele é chamado de "Pai da Medicina".
Este importante estudioso da medicina, nasceu na Grécia e fazia parte de uma família que mantinha uma longa tradição na pratica de cuidados em saúde.
Em seus estudos, ele pôde constatar a relação de muitas epidemias com fatores climáticos, raciais, alimentares e do meio ambiente. Deixou ainda muitas descrições clínicas que possibilitam o diagnóstico de doenças como a malária, tuberculose, caxumba e pneumonia.
Ele se dedicou também profundamente aos estudos sobre anatomia humana, deixando anotações descritivas bastante claras que se referiam não só a instrumentos de dissecação, como também, a procedimentos práticos.
O “pai da medicina” direcionava seus conhecimentos em saúde no caminho científico, ele rejeitava completamente a supertição e práticas que não se podia explicar cientificamente.
Hipócrates chegou a teoria dos quatro humores corporais (sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra) através de sua forma de entender o funcionamento do organismo humano, incluindo a personalidade. Segundo ele, a quantidade destes fluídos corporais era a principal responsável pelo estado de equilíbrio ou de doença.
Sua teoria influenciou um outro importante estudioso, Galeno, que desenvolveu a teoria de Hipócrates (teoria dos humores) dominando este conhecimento até o século XVIII.
O famoso Juramento de Hipócrates foi criado a partir de sua inquestionável conduta ética.

Juramento de Hipócrates
" Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

Gregor Johann Mendel (1822 — 1884)
Foi um monge agostiniano, botânico e meteorologista austríaco.
Nasceu na região de Troppau, na Silésia, que então pertencia à Áustria, e viria a ser batizado a 22 de Julho, que muitas vezes se confunde com a sua data de nascimento, vindo de uma família de humildes camponeses. Na sua infância revelou-se muito inteligente; em casa costumava observar e estudar as plantas. Sendo um brilhante estudante a sua família encorajou-o a seguir estudos superiores, e mais tarde aos 21 anos a entrar num mosteiro da Ordem de Santo Agostinho em 1843 (atual mosteiro de Brno, República Checa) pois não tinham dinheiro para suportar o custo dos estudos. Obedecendo ao costume ao tornar-se monge, optou por um outro nome: "Gregor". Aí Mendel tinha a seu cargo a supervisão dos jardins do mosteiro.
Estudou ainda, durante dois anos, no Instituto de Filosofia de Olmütz (hoje Olomouc, República Checa) e na Universidade de Viena (1851-1853). Entre 1843 a 1854 tornou-se professor de ciências naturais na Escola Superior de Brno, dedicando-se ao estudo do cruzamento de muitas espécies: feijões, chicória, bocas-de-dragão, plantas frutíferas, abelhas, camundongos e principalmente ervilhas cultivadas na horta do mosteiro onde vivia analisando os resultados matematicamente, durante cerca de sete anos. Gregor Mendel, "o pai da genética", como é conhecido, foi inspirado tanto pelos professores como pelos colegas do mosteiro que o pressionaram a estudar a variação do aspecto das plantas. Propôs que a existência de características (tais como a cor) das flores é devido à existência de um par de unidades elementares de hereditariedade, agora conhecidas como genes.
Mas Mendel não só se interessou pelas plantas, ele também era meteorologista e estudou as teorias de evolução. Ao longo da sua vida foi membro, diretor e fundador de muitas sociedades locais: director do Banco da Morávia, foi fundador da Associação Meteorológica austríaca, membro da Real e Imperial Sociedade da Morávia e Silésia para melhor agricultura, entre outras. Durante a sua vida, Mendel publicou dois grandes trabalhos agora clássicos: "Ensaios com Plantas Híbridas" (Versuche über Planzenhybriden), que não abrangia mais de trinta páginas impressas e "Hierácias obtidas pela fecundação artificial". Em 1865, formula e apresenta em dois encontros da Sociedade de História Natural de Brno as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Após 1868, as tarefas administrativas mantiveram-no tão ocupado que ele não pode dar continuidade às suas pesquisas, vivendo o resto da sua vida em relativa obscuridade.
Morreu a 6 de Janeiro de 1884, em Brno, no antigo Império Austro-Húngaro hoje República Checa de uma doença renal crónica; um homem à frente do seu tempo, mas ignorado durante toda a sua vida.

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